Reconhecimento da educação midiática avança em 2025: o que esperar para 2026?

2025 foi um ano excepcionalmente relevante para a educação digital midiática, reconhecida institucionalmente como um saber curricular essencial no contexto da educação básica. Sua obrigatoriedade, prevista nas Diretrizes Operacionais do Conselho Nacional de Educação, de 21 de março deste ano, levou a uma série de iniciativas que buscam integrá-la aos currículos. 

A primeira delas foi o guia Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas que orienta gestores educacionais acerca de maneiras de integrá-la ao cotidiano das salas de aula, a partir de diferentes estratégias e possibilidades. 

Além disso, a segunda versão da Estratégia Brasileira de Educação Midiática (EBEM), publicação da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM-PR), destaca ganhos referentes a:

  • Inserção da educação midiática no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), em todas as etapas e modalidades de ensino, com exceção à Educação Infantil, prevendo que o tema seja tratado em materiais para componentes específicos nos anos iniciais do Ensino Fundamental e como integrante da área de Linguagens, para o Ensino Médio. Essa integração ao PNLD passa a valer em 2026 para a última etapa da educação básica e a partir de 2027 para a Educação Infantil.
  • Inserção da educação digital e midiática nas Diretrizes Operacionais para a Educação Integral em Tempo Integral da Educação Básica. Trata-se da Resolução CNE/CEB nº 7, de 1º de agosto de 2025, que destaca esse objeto do conhecimento como uma área a ser promovida nas escolas, de forma integrada ao planejamento e ao currículo, a fim de desenvolver competências críticas.
  • Ampliação de ofertas de formação e referências em educação midiática para professores. A plataforma AVAMEC conta, atualmente, com 81 cursos gratuitos acerca do tema, além disso, a SECOM-PR oferece, em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade de Brasília (UnB) um curso de aperfeiçoamento em educação midiática e direitos humanos, de 225 horas. O governo federal encabeçou, ainda, a construção de um repositório de conteúdos pedagógicos, no contexto da Semana Brasileira de Educação Midiática, com materiais temáticos e propostas de planos de aula.

 

Com todas essas iniciativas, do ponto de vista normativo e de circulação de mais possibilidades de acesso à formação docente, espera-se que 2026 seja o ano de concretizar a implementação sistemática da educação midiática nas redes de ensino, partindo da construção curricular para as diferentes etapas de aprendizagem. Atrelado a isso, é fundamental haver iniciativas de formação de professores, de modo a envolvê-los na construção desses currículos e nos projetos pedagógicos em torno da educação midiática nas diferentes realidades educacionais brasileiras.

Em que pese a numerosa oferta de cursos e materiais disponibilizados pelo governo federal, a educação midiática precisa fazer sentido nas especificidades territoriais e culturais onde a educação acontece. Dessa forma, essas ofertas e repositórios devem complementar a formação em serviço de professores, que deve ser contextualizada e participativa. Espera-se ainda um aumento no número de materiais didáticos à disposição das redes de educação, para apoiar a prática pedagógica dos docentes, no dia a dia da sala de aula.

Por fim, é preciso considerar que 2026 será um ano eleitoral, o que faz com que projetos de grande porte não avancem significativamente, ao menos nas redes estaduais de educação, cuja prioridade é o Ensino Médio. Por isso, é provável que o maior avanço se dê em esfera municipal, com a curricularização da educação digital e midiática para a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos, etapas e modalidade mais fortemente presentes nas redes municipais.

Com isso, o foco deve migrar da conformidade normativa para a ressignificação criativa e a articulação local do que é previsto nacionalmente, transformando as diretrizes federais em experiências de aprendizagem singulares, relevantes e significativas para cada rede de ensino e realidade escolar.

Imagem destacada:  pixelfit / Getty Images Signature

Bruno Ferreira

Consultor em educomunicação e educação midiática. Doutorando em Educação pela FEUSP, mestre em Ciências da Comunicação e especialista em Educomunicação pela ECA/USP. É coordenador pedagógico do Instituto Palavra Aberta, docente da pós-graduação em Proficiência em Tecnologias Digitais para uma Educação Empreendedora, do Sebrae-DF, e formador de professores da SME São Paulo. Foi consultor da UNESCO e professor de comunicação e Desenvolvimento Social do Senac-SP.

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