Pessoas com mais de 60 anos, de cidades dos estados do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul, terão a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre inteligência artificial, desinformação e golpes digitais em uma iniciativa de educação midiática dos 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental, espaços de diálogo e ação colaborativa criados pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec para promover o desenvolvimento sustentável em 434 municípios desses dois estados.
O workshop “Conectados com segurança – educação midiática, golpes digitais e inteligência artificial” foi desenvolvido e é ministrado pela Caravela Educom, organização de educação midiática e educomunicação dirigida por Bruno Ferreira, consultor e pesquisador nesses temas há 15 anos.

Abertura do workshop em Cornélio Procópio (PR), em 5 de maio de 2026. Imagem: Catarina Rocha
Desde 28 de abril, data do primeiro workshop, no município de Paranaguá, no litoral do Paraná, ocorreram quatro encontros. O último será no município de Rio Branco do Sul, a cerca de 20 km da capital paranaense, em 27 de maio. Para Bruno Ferreira, iniciativas dessa natureza são fundamentais, uma vez que o público 60+ tem menos oportunidades de educação midiática que as gerações mais jovens.
“A educação digital e midiática está em processo de curricularização no Brasil e as diretrizes educacionais vigentes contemplam, em grande parte, saberes relacionados às mídias, à comunicação e às tecnologias digitais. Isso faz com que crianças e jovens tenham o direito à educação midiática assegurado. Adultos que estão no mundo do trabalho também têm mais chance de refletir sobre os usos e apropriações que fazem das tecnologias. Pessoas com mais de 60 anos, no entanto, são costumeiramente alijados desse processo e muitos, apesar de usar celulares e redes sociais, o fazem com muita insegurança, justamente por não terem espaços formais onde possam refletir e desmistificar questões do mundo digital”, avalia o diretor da Caravela Educom.
Além de Ferreira, a jornalista e pesquisadora Ivone Rocha e a jornalista e educadora Janaina Silva também coordenam a iniciativa, que também conta com a colaboração do educador e designer Tiago Soarez, na formação dos participantes e na identidade visual do projeto. Integram ainda a equipe de apoio aos workshops Hamilton Hideki, Mateus Menezes e Catarina Rocha (também responsável por design de conteúdo educacional).
O método de “Conectados com Segurança”

Momentos do workshop em Rio Negro (PR), em 29 de abril de 2026. Imagens: Bruno Ferreira
O workshop explora uma estratégia dialógica, que parte do levantamento de saberes e experiências de participantes acerca do mundo digital. Posteriormente, avaliam mensagens reais de sites, redes sociais e aplicativos de mensagens, buscando observar suas características e refletir sobre aspectos que podem colocar em xeque sua credibilidade. Os participantes ainda são convidados a discutir sobre atitudes responsáveis e seguras diante de apelos e conteúdos no mundo digital.
“Somente após atividades em que os participantes são convidados a observar e deduzir sobre as mensagens e condutas adequadas frente a elas, é que abordamos protocolos de análise crítica da informação, como forma de sintetizar as descobertas que eles próprios fazem entre pares, com a nossa mediação”, explica Ferreira.

Workshop no município de Parnavaí (PR), em 5 de maio de 2026. Imagem: Mateus Menezes
A culminância é um momento autoral: a criação de um vídeo curto, de até 1 minuto e meio, em pequenos grupos, com o objetivo de traduzir os conhecimentos desenvolvidos durante o workshop. Dramatizações e depoimentos de experiências concretas dos participantes, sobretudo com golpes digitais, têm sido, até o momento, as principais abordagens das produções.
Os vídeos produzidos pelos participantes poderão ser inscritos em um concurso, a ser lançado nas próximas semanas pela Itaipu Parquetec, voltado aos integrantes de seus Núcleos de Cooperação Socioambiental. Essas produções servirão como material de sensibilização e engajamento em suas comunidades. A proposta é que o diálogo sobre segurança digital não se encerre no workshop, mas torne-se uma prática cotidiana entre pessoas com mais de 60 anos do Paraná e Mato Grosso do Sul.





