No universo da educação, a distinção entre mídias e tecnologias é fundamental para definir e explorar o uso pedagógico de recursos digitais. Tony Bates, autor canadense que escreve sobre como as mídias e as tecnologias podem favorecer as práticas de ensino e aprendizagem, sobretudo no contexto da educação a distância, explica que as tecnologias na educação correspondem aos instrumentos usados para apoiar os processos de ensino e aprendizagem, mas estas não comunicam nem criam significados. Estes são um papel das mídias, que envolvem necessariamente uma ação comunicativa.
Contemplar diferentes mídias nos processos de ensino e aprendizagem online permite a diversificação de abordagens pedagógicas que atendem a diferentes perfis de estudantes, em seus estilos e necessidades. Por isso, examinar suas especificidades é fundamental para reconhecer suas potencialidades e escolhê-las a partir de critérios objetivos.
Quando pensamos nas práticas de educação midiática e de educomunicação, as mídias são recursos a serem apropriados pelos estudantes, em atividades de pesquisa, análise de conteúdos, autoexpressão e publicação de suas produções autorais. Nesse sentido, devem escolhê-las não apenas segundo seus interesses subjetivos, mas de acordo com critérios que envolvem a natureza da informação a ser acessada ou a mensagem a ser criada e transmitida e como desejam que esta deve chegar ao seu público pretendido.
Por isso, os estudantes devem examinar essas potencialidades em processos mediados por seus docentes, para que a escolha seja condizente com os objetivos de pesquisa ou de autoria. Com relação ao seu uso para buscar e selecionar informações, é importante diferenciar informação factual (relatos mais urgentes e imediatos) de conteúdos de profundidade (mais contextualizados e com maior embasamento), destacando que diferentes plataformas darão conta de demandas distintas por informação. Por exemplo, um site de notícias ou perfis confiáveis de especialistas ou comunicadores em redes sociais vai contemplar relatos mais imediatos e atuais sobre a realidade. Já revistas, portais ou livros especializados podem abordar temas e fatos mais detalhadamente.
Com relação à escolha de mídias para a autoexpressão, no e-book Planejamento e avaliação de projetos de educomunicação apresento as potencialidades comunicativas de algumas mídias sociais, que ajudam docentes e estudantes a definir os formatos de seus conteúdos segundo o propósito e intencionalidade de seus projetos de mídia escolar, muitos dos quais se estruturam a partir de mídias sociais.
Aliás, aqui cabe mais uma definição: a de mídias sociais, que são plataformas online que possibilitam a interação e o compartilhamento de conteúdo entre usuários. Elas abrangem uma variedade de ferramentas e canais digitais, como sites e aplicativos, que facilitam a comunicação e a troca de informações. As redes sociais são tipos específicos de mídias sociais. Também fazem parte dessa categoria os blogs e as plataformas Wiki, que possibilitam a construção e publicação de conteúdos de forma participativa.
Bates defende que a estrutura livre das mídias sociais seja explorada pelos estudantes a partir de uma experiência estruturada, na qual cabe ao professor fornecer conteúdos para tal, além de mediar essa relação de forma intencional, isto é, para que dela resulte a gestão do conhecimento e o uso responsável das mídias pelos estudantes, resultados esperados nas práticas de educação midiática.
Explorar as especificidades e potencialidades das mídias é, portanto, algo essencial tanto para docentes quanto para estudantes. Os profissionais da educação, ao conhecê-las, conseguem atrelá-las mais claramente aos objetivos de suas práticas pedagógicas e à diversidade de formas que os estudantes podem aprender. Já os alunos fortalecem sua autonomia enquanto cidadãos, tornando seus processos de pesquisa e autoexpressão mais criteriosos e responsáveis.
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